Les Grands Verres: o novo ponto de encontro no Palais de Tokyo

De visita a Paris logo nos primeiros dias desta Primavera, não pude resistir em visitar novamente, o Palais de Tokyo, onde, 15 anos após a polemica revitalização arquitetônica feita pelo Lacaton & Vassal Arquitetos, o restaurante e bar ganham novos ares com o trabalho impecável e super detalhista do estúdio parisiense Lina Ghotmeh.

Foram necessários dois anos para compreender e realizar a intenção do cliente, Quixotic Projects, companhia criativa que agita o mundo gastronômico e de coccteleria por Paris, Cidade do Mexico, Estocolmo, Oslo e Hong Kong. O desafio proposto ao estúdio de Lina Gothmeh foi alinhar a filosofia do grupo: uso de produtos frescos e locais de temporada, originalidade e mínimo impacto ao meio-ambiente, à honestidade dos materiais crus e elementos estruturais revelados pela renovação deste edifico construído em 1937. O resultado rendeu ao estúdio o premio “Best Decor” de 2018, pelo exclusivo guia Le Fooding.

O que mais me surpreendeu, e parte do meu interesse pelos espaços públicos de convívio, foram as várias possibilidades de uso pelo variado público, de todas as idades, encontrando ali um espaço de descanso e permanência, proposta do local – detalpara os notívagos: ele fica aberto até as 2h. Nas banquetas, poltronas e assentos distribuídos em diferentes níveis, o público se reunia, compartilhando mesas, dividindo impressões ou simplesmente desfrutando um delicioso café.

Me encantou o elegante e harmonioso uso dos materiais presentes no edifício, aplicados ali finamente à bancada do bar, às paredes do grande salão e do bar que abriga as garrafas, às diferentes opções de assento e ao mobiliário escolhido com rigor e coerência a cada situação.

Durante o dia, a luz natural invade o interior pelas fachadas envidraçadas que dão à rua, evidenciando cada textura, cor e detalhe, numa relação presente com o clima externo, tendo-se sempre a percepção do andar das horas. Pude sentir esse efeito, já que passei um bom tempo a conversar tranquilamente em um grupo, embalado a deliciosos aperitivos, vinho e água (disponível no balcão, gratuitamente), discorrendo sobre as instalações temporárias e a programação do centro de arte, quando a luz se fez tênue e o DJ começou a tocar variações de jazz e bossa.

O restaurante também se abriria ao público, no segundo turno, enquanto no bar os drinks mais caprichados começavam a esquentar as noites ainda frias da capital da Luz.

Carô Pons - Arquiteta

Arquiteta e urbanista de formação, velejadora e contadora de histórias por opção. Com um pé em São Paulo, outro em Barcelona, está sempre por dentro das últimas novidades de design e dos projetos mais interessantes no Brasil e no mundo.

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