Marina Abramovic utiliza realidade virtual em nova obra

A artista recorreu ao recurso para criar Rising, nova intervenção cujo objetivo é chamar a atenção para o futuro do planeta

Conhecida por explorar diferentes suportes em performances provocadoras, a multidisciplinar Marina Abramovic surpreende novamente. Desta vez, utilizando a realidade virtual. Em sua nova obra que será apresentada nesta semana durante a Art Basel de Hong Kong, Marina rompe com sua ideia de “desconecte-se, se libere de telefones, relógios e computadores para olhar para dentro e encontrar a paz” com um objetivo: mandar uma mensagem forte sobre o futuro do nosso planeta.

Para Marina, o objetivo principal da arte deve ser de iluminar e elevar o espírito, mas ela sentiu a necessidade de recorrer à realidade virtual para transmitir uma mensagem sobre a pressão crescente que os seres humanos exercem sobre o meio ambiente. “Os cientistas nos provam que em 70 anos o clima poderá causar enormes problemas, mas nós não levamos a sério. Então eu pensei que seria interessante criar uma experiência que pudesse mudar realmente a consciência das pessoas e as incentivar a agir.

Já na abertura da obra, batizada de Rising, o espectador ficará face a face com a artista, fechado em um reservatório que se enche progressivamente de água. Ela estende a mão e o convida a se aproximar. Em seguida, o espectador é imerso em um mundo distópico que tem o risco de ser cada vez mais o futuro do nosso planeta. Nesse universo, enormes icebergs se desfazem de maneira espetacular, placas de gelo derretendo no oceano, resultando no aumento do nível de água que sobe até os calcanhares.

A obra, desenvolvida através do sistema de realidade virtual Vive, será apresentada em avant-première durante o evento, mas estará disponível para download depois para que quem quiser possa realizar a experiência – inclusive crianças, parte da geração que sofrerá ainda mais com as alterações climáticas. “A maior parte dos videogames se baseiam na violência. Há alguns anos, no Japão, testei um jogo no qual eu era um bombeiro e precisava entrar num prédio para salvar as pessoas. Isso me marcou porque saí com um sentimento incrível de benevolência”, conta Marina, que se inspirou da experiência para criar Rising. Abaixo, confira algumas imagens.

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