Unique Persona: Marcia Kemp, da Nannacay

Ex-executiva da IBM, a carioca conquista o mundo com paniers feitos por artesãs latino-americanas

Foi durante uma visita a uma tribo Maasai, na África, que a ex-executiva da IBM Marcia Kemp teve o estalo: utilizar a moda para valorizar o artesanato singular encontrado pelo mundo, promovendo o resgate cultural do artesanal e estendendo à mãos a mulheres que vivem justamente do feito à mão. Em quatro anos de existência, a Nannacay, nome de origem Quechua Aimara que significa irmandade de mulheres, conta com 200 famílias de tecedores no Peru, Equador e Brasil, e está presente em pontos de venda cobiçados como o Net-a-Porter, Moda Operandi, Selfridges, em Londres, e o Bon Marché, em Paris. Simpática como boa carioca e cheia de energia, Marcia conta abaixo um pouco do seu percurso.


A Nannacay surgiu…

…Da minha vontade de ajudar. Sempre fui voluntária e trabalhei muitos anos no Instituto da Criança. Mas sempre acreditei no empreendedorismo social, que é diferente da caridade. Costumo viajar para destinos remotos, Tibet, Nepal, interior do Camboja, e sem querer, acho que instintivamente, acabava conversando e conhecendo os artesãos locais. Foi aí que um dia, em uma tribo Maasai, cujo trabalho é magnífico, pensei: por que não transformar o artesanato em objeto de desejo e assim ajudar as pessoas que dependem dele?

Você era executiva da IBM, tinha algum conhecimento em moda, design?

Não. Mas a moda é uma indústria, como tantas outras que tive que aprender a conhecer pro meu trabalho (varejo, telecomunicações, petróleo, mineração). Então eu fiz o que sempre fiz: estudei a fundo e percebi que o trabalho artesanal não era valorizado no Brasil como devia. As criações são minhas, mas sempre com a ajuda das mulheres com as quais trabalho. É uma equipe, nós somos uma família, trocamos e aprendemos e as ideias vem…

Quais matérias-primas você utiliza para criar as bolsas?

Junco, do Peru; toquilho do Equador; e sisal, carnaúba e palha de milho do Brasil. Já os pompoms são feitos nos Andes a 4000 metros de altitude usando lã peruana. Comecei com 13 artesãs no Peru, hoje em dia são 200 famílias envolvidas nesses três países, inclusive homens. Um dia uma das artesãs me ligou pedindo se eu podia ajudar a arrumar uma atividade para o marido dela, que estava na prisão. Fizemos uma formação e hoje em dia temos 20 presos tecendo. Minha preocupação não é só dar trabalho para essas mulheres, mas transformá-las em cidadãs e empresárias respeitadas.


Como é a logística desse trabalho nômade?

Complicada (risos). Por exemplo, os protótipos saem de ônibus das comunidades no Peru até Lima, onde pegam um certificado de origem para poderem deixar o país Mas no fim tudo chega no Rio de Janeiro, onde as peças são customizadas e finalizadas. Depois, partem para os pontos de venda no Brasil e internacionais, e para os showrooms de Nova York e Londres.

Você conquistou pontos de venda importantes e cobiçados em pouco tempo. Como aconteceu essa expansão?

Naturalmente. Digo que sou uma vendedora, e preciso continuar vendendo produtos para ajudar mais e mais pessoas. É por isso também que não parei nas bolsas, atualmente temos brincos, vamos lançar uma linha de chapéus em breve, outra de lifestyle com itens para a casa feitos com a ajuda de um arquiteto. Tento sempre pensar fora da caixa e acho que é assim que evoluímos e conseguimos abraçar mais e mais pessoas.

Unique Fashion Team

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