Vegan em casa: um livro de receitas para deixar a cozinha verde

Parei de comer carne vermelha aos 15 anos. Aos 20 e poucos cortei definitivamente a carne branca e o peixe (com exceção do salmão cru no restaurante japonês). Quase 17 anos depois, posso desmentir com propriedade alguns mitos sobre o vegetarianismo. Por exemplo: não, você não se sentirá mais cansado e, não, você não terá falta de proteínas ou ferro, por exemplo. Mas sim, você encontrará um pouco mais de dificuldade quando olhar o cardápio do restaurante e, sim, você passará um pouco de vergonha quando anunciar ao host que o rosbife parece ótimo, mas que infelizmente você é vegetariano – “mas tudo bem porque os acompanhamentos são suficiente”.

Quando me mudei para Paris há quase cinco anos, encontrei ainda mais dificuldade e resistência. Hoje em dia a cidade é mais veggie friendly, mas em 2013 eu era obrigada a comer sempre chèvre au chaud (salada com queijo de cabra) ou de encarar a cara de susto do garçon quando eu pedia para tirar o presunto do Croque Monsieur, ou, pior, quando eu ousava perguntar se “existia uma opção vegetariana”. Há também os restaurantes onde não existe nenhuma opção para os não-carnívoros – o jeito aí é levantar e ir embora. Foi assim que comecei a me abrir e a aceitar (e gostar) o atum selado, quase cru. Mas lendo sobre a escassez desse peixe e da maneira como ele é pescado, preferi reduzir a quantidade. O mesmo aconteceu quando li Sapiens – Uma Breve História da Humanidade: além de ótima leitura para compreender o espaço da nossa espécie, a responsável por exterminar todos os outros “Homos”, no mundo, o livro mostra como a agricultura mudou a organização da sociedade e alerta para a maneira como animais são criados atualmente, como em linhas de produção para alimentarem nossos estômagos famintos. Ok, carne e frango eu não consumo, mas ovos e leite, que vêm dos mesmos animais, sim. Depois de me dar conta que as vacas são sistematicamente fecundadas para poderem produzir leite (sem nenhum tipo de espera ou respeito) e como as galinhas são criadas, decidi prestar mais atenção à procedência dos queijos e ovos (prefiro os de pequenos produtores orgânicos que criem as galinhas ao ar livre) e substituí o leite de vaca por leite de amêndoas.

Tudo isso para dizer que recentemente encontrei um livro que me mostrou que o veganismo é possível e saboroso. Vegan – The Cookbook, de Jean-Christian Jury (chef francês convertido ao veganismo após um ataque cardíaco) publicado pela Phaidon, conta com quase 500 receitas ultra criativas de 150 países sem nenhum tipo de ingrediente de origem animal. Você pode fazer um mathrooba de quinoa e lentilhas com couve de bruxelas, um couscous aos cogumelos, um soba (massa de trigo sarraceno) aos cinco temperos, até uma feijoada e um delicoso cheesecake! Não pretendo me converter totalmente ao veganismo – acho louvável, mas socialmente desafiador -, mas as receitas desse livro deixaram minha cozinha mais verde, feliz e consciente.

Para quem se interessar, ele está disponível na para encomenda na livraria da Travessa.

Vitória Moura Guimarães - Jornalista

Jornalista, formada pela PUC-SP e especializada em Moda pela faculdade Santa Marcelina, se mudou para Paris por amor e se apaixonou pela cidade.

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